
As salas VIP de aeroportos deixaram de ser um luxo restrito a passageiros da primeira classe e se transformaram em um dos benefícios mais desejados por viajantes frequentes.
Com acesso via cartões premium, programas de fidelidade e passagens executivas, esses espaços prometem conforto, silêncio, comida, bebidas e até chuveiros antes do embarque. Mas a realidade nem sempre corresponde às expectativas.
Segundo especialistas em viagens ouvidos pela Travel + Leisure, muitos passageiros acabam cometendo erros que comprometem completamente a experiência dentro das salas VIP — desde falhas de etiqueta até equívocos sobre regras de acesso.
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E com o crescimento da superlotação em lounges ao redor do mundo, entender como utilizá-los corretamente se tornou quase obrigatório para quem deseja evitar frustrações durante a viagem.
Achar que qualquer passagem premium dá acesso automático
Um dos maiores enganos entre viajantes é acreditar que basta comprar uma passagem de primeira classe ou executiva para entrar automaticamente em qualquer sala VIP.
Na prática, as regras variam bastante entre companhias aéreas, aeroportos e programas de fidelidade. Em muitos casos, voos domésticos em classe executiva não incluem acesso ao lounge, especialmente nos Estados Unidos.
A própria Travel + Leisure destaca que diversos espaços operam com acesso limitado a membros específicos, clientes de cartões parceiros ou passageiros de voos internacionais selecionados.
Por isso, especialistas recomendam verificar as condições antes de sair de casa para evitar surpresas desagradáveis no aeroporto.
Criar expectativas irreais sobre o luxo das salas VIP
As redes sociais ajudaram a criar a imagem de que toda sala VIP oferece experiências dignas de hotéis cinco estrelas — com spas, refeições sofisticadas e ambientes impecáveis.
Mas a realidade costuma ser mais simples.
Embora existam lounges extremamente luxuosos em aeroportos internacionais, muitos espaços oferecem apenas poltronas mais confortáveis, Wi-Fi, bebidas e snacks básicos.
Segundo Jimmy Yoon, especialista da plataforma point.me citado pela Travel + Leisure, muitos viajantes entram nesses ambientes esperando uma experiência “instagramável” e acabam decepcionados.
A recomendação é encarar o lounge como um espaço funcional para descansar, trabalhar ou escapar do movimento intenso do terminal — e não necessariamente como uma atração turística.
Chegar cedo demais ao aeroporto só para usar o lounge
Outro comportamento cada vez mais comum é antecipar excessivamente a chegada ao aeroporto apenas para passar mais tempo na sala VIP.
O problema é que, com a superlotação crescente, isso pode acabar produzindo exatamente o efeito contrário: filas, listas de espera e ambientes lotados.
Relatos recentes de viajantes em fóruns como Reddit mostram que muitos lounges estão enfrentando problemas frequentes de capacidade, especialmente nos horários de pico. Alguns passageiros afirmam ter esperado mais de 40 minutos para conseguir entrar.
Além disso, especialistas alertam que várias salas VIP passaram a limitar permanência e horários de acesso.
Ignorar regras de acesso dos cartões de crédito
Ter um cartão “black” ou “infinite” não significa acesso ilimitado.
Muitos usuários descobrem tarde demais que determinados lounges exigem reservas, possuem restrições de horário ou cobram taxas extras para acompanhantes.
A reportagem da Travel + Leisure destaca que vários programas premium passaram a endurecer regras por causa da superlotação global desses espaços.
Em fóruns especializados, usuários também relatam que benefícios antigos vêm sendo reduzidos nos últimos anos, principalmente em programas americanos.
Antes da viagem, vale conferir:
- limite de convidados;
- tempo máximo de permanência;
- necessidade de reserva;
- aeroportos participantes;
- restrições por terminal.
Não usar listas digitais de espera
Uma dica que muitos passageiros ainda ignoram é o uso de aplicativos com fila virtual.
Hoje, diversas redes de lounges já oferecem sistemas que permitem entrar na lista de espera antes mesmo de chegar ao espaço físico.
Segundo especialistas ouvidos pela Travel + Leisure, isso pode economizar muito tempo em aeroportos movimentados.
Em alguns casos, inclusive, já é possível reservar horários antecipadamente após a compra da passagem aérea.
Ocupar espaço demais em ambientes lotados
Esse talvez seja um dos comportamentos mais criticados dentro das salas VIP.
Com lounges frequentemente cheios, passageiros que espalham malas, ocupam várias poltronas ou transformam áreas compartilhadas em “território pessoal” acabam irritando outros viajantes.
Especialistas reforçam que a etiqueta dentro desses espaços é fundamental, especialmente porque o principal objetivo do lounge é oferecer tranquilidade.
Falar alto ou transformar o lounge em escritório barulhento
Salas VIP são pensadas para descanso e produtividade silenciosa.
Mesmo assim, chamadas em viva-voz, reuniões online sem fones e conversas em tom elevado continuam sendo algumas das maiores reclamações entre passageiros frequentes.
Segundo especialistas consultados pela Travel + Leisure, manter discrição sonora é uma das regras não escritas mais importantes nesses ambientes.
Exagerar no buffet gratuito
Comidas e bebidas liberadas podem ser tentadoras, mas exagerar é outro erro clássico.
Além de gerar desperdício, muitos lounges passaram a restringir consumo excessivo e retirada de alimentos para viagem.
Especialistas recomendam usar o buffet com moderação e respeitar o caráter coletivo do espaço.
Deixar de aproveitar serviços escondidos
Muita gente entra em uma sala VIP apenas para comer ou sentar, sem perceber que alguns lounges oferecem serviços extremamente úteis.
Entre os benefícios menos conhecidos estão:
- atendimento prioritário para remarcações;
- suporte em conexões perdidas;
- chuveiros privativos;
- salas de descanso;
- áreas para trabalho;
- cabines silenciosas;
- espaços infantis.
Em situações de atraso ou cancelamento, o atendimento dentro do lounge costuma ser muito mais rápido do que nos balcões tradicionais do aeroporto.
Esquecer que lounges também têm regras de convivência
No fim das contas, especialistas afirmam que a principal regra é simples: agir com bom senso.
Com a popularização dos acessos premium, salas VIP deixaram de ser ambientes exclusivos para poucos passageiros e passaram a funcionar quase como extensões mais confortáveis do terminal.
Por isso, educação, discrição e respeito ao espaço coletivo fazem toda a diferença para manter a experiência agradável para todos.
A própria discussão sobre superlotação virou tema recorrente entre viajantes frequentes, especialmente após o crescimento explosivo de cartões com benefícios de lounge no pós-pandemia.
Segundo análise publicada pela Condé Nast Traveler, muitos aeroportos já estudam modelos mais exclusivos e segmentados para tentar recuperar a sensação de conforto e privacidade que tornou as salas VIP tão desejadas nos últimos anos.
Fonte: Travel + Leisure
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